Quando pensamos nessa palavra, podemos associá-la a finitude, morte, perda, entre outras palavras. Mas, além de palavras, essas podem expressar nossos sentimentos.
O luto, nessa perspectiva, pode ser compreendido como uma vivência que se inicia com a morte de um ente querido e com o consequente apagamento abrupto de sua (inter)corporeidade no campo existencial do enlutado.
Pensar sobre a finitude das nossas relações, sobre a morte ou perdas significativas nem sempre nos levam para um caminho de conforto.
Por vezes, há um lugar de dor nunca explorado antes.
Na clínica, a pessoa enlutada pode encontrar o suporte para elaboração da perda, além de poder experienciar e aliviar o sofrimento, entre outros benefícios.
A clínica do luto pode ser um espaço de suporte tanto para crianças quanto para adolescentes, adultos e idosos. Pode ser experimentada de forma individual, de casal ou grupo. Diante das perdas que vivemos, não precisamos passar por elas só. Procurar uma rede de apoio, profissionais que possam dar um suporte nesse enfrentamento pode fazer muita diferença na forma que vamos enxergar a vida dali para frente.
Você não precisa passar uma borracha. Procure acolhimento! Dar um novo significado pode não ser processo fácil, pode dor em alguns momentos, mas ele pode trazer alívio e te dar uma possibilidade estar conectado com quem se foi sem perder-se de si mesmo.
Veja esses fragmentos do poema Instantes de Jorge Luis Borges:
Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios, iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria andar descalço no começo
da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e
brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.
Nem sempre a morte foi vista da mesma maneira na sociedade. Não somos estimulados a pensar nas perdas, nos nossos sofrimentos, na morte. Quando chega uma situação onde inevitavelmente temos que lidar com isso, pode haver um choque. Esse pode ser um momento de encontro com essa nova forma de ser no mundo, de ser você mesmo.
Se você sente que uma ajuda profissional pode te auxiliar a passar por esse processo, procure ajuda.